Enem - Publicado por michelle on Tuesday, September 2, 2008 0:36 - 0 Comentários

Enem é requisito para o ProUni

Por: Fernanda Santa Rosa

Quem precisa de bolsa para cursar uma faculdade particular, é bom prestar atenção especial atenção no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Embora a data de inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni), ano 2009, ainda não esteja definido pelo Ministério da Educação (MEC), a realização do exame é requisito para quem tem dificuldades financeiras, mas não perde a esperança de lutar por um diploma.

No primeiro semestre de 2008, o Programa Universidade par Todos (ProUni) foi concedido a mais de 6 mil estudantes na Bahia, sendo 3.864 integrais e 2.551 parciais. A bolsa integral é dirigida aos que possuam renda familiar por pessoa de até um salário mínimo e meio (R$ 622,50). Há também bolsa parcial de 50% e complementar, 25%, para renda até três salários.

Para quem já está matriculado em uma faculdade particular, uma opção para fugir às altas mensalidades é o Financiamento do Estudante do Ensino Superior (Fies). Para este, as inscrições encerram na próxima quarta-feira (3). A disputa do Fies não exige a participação no Enem.

Aluna de Fisioterapia da Faculdade Jorge Amado, Aída Paranhos, 20, vai se candidatar ao Fies para o próximo semestre. “Foi uma luta entrar, agora é outra para se manter”, desabafa. Como tem uma irmã matriculada em instituição particular, é preciso economizar para evitar a inadimplência. “A gente segura nas compras e minha mãe paga um mês a escola de uma e o seguinte,  da outra”, conta Aída. Com o FIES, a aluna poderá requerer financiamanto de até 100% o valor da mensalidade. Enquanto cursa a faculdade, o beneficiado se compromete a pagar, a cada três meses, o valor de no máximo R$ 50,00 (cinqüenta reais), que vai sendo abatido de seu saldo devedor. Logo após a formatura, há um período de carência de seis meses antes do início do pagamento das prestações.

Objetivo

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com base nas respostas do questionário sócio-econômico preenchidos pelos alunos no ano passado, mostram que 71,37% dos estudantes fizeram o Enem para entrar na faculdade e conseguir pontos para o vestibular. Do total, 17.94% dos alunos pretendem apenas testar seus conhecimentos. Outros 10,25% consideram o Enem interessante para ter um bom emprego e saber se está preparado para o futuro profissional; 0,44%, não responderam.

Coordenador Nacional do Enem, do Ministério da Educação (MEC), Dorivan Gomes, diz que o Ministério trabalha com o ideal de adoção do exame por todas as universidades, pelo menos como primeira fase do processo seletivo. A segunda etapa seria uma prova específica afinada com o conteúdo do curso. “Mas as instituições tem autonomia para  decidir. Uma prerrogativa dada pela própria Constituição Federal”, explica o gestor.

Limitação

O número de vagas no Ensino Superior na Bahia, teve aumento de 600% em dez anos. É o que mostra o levantamento mais recente do Ministério da Educação (MEC). Enquanto em 1996 eram apenas 15.585 vagas, em 2006 este número saltou para 112.576. No Brasil, as vagas quadruplicaram. De 634.236 subiu 2.629.598 de cadeiras na universidade.

Apesar do aumento, o número limitado de vagas no ensino público é apontado por gestores como fator principal que limita a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como substituto do vestibular e potencial balizador do ingresso de estudantes no ensino superior.

Enquanto o número de vagas aumentou 142,92% na rede pública na Bahia, subindo de 8.035 vagas para 19.519; na rede particular o crescimento chega a incrível soma de 1.132,54%. As 7.550 vagas, que em 1996 não ultrapassavam o montante disponibilizado pela rede pública, subiu para 93.057 vagas, no período de dez anos. O vice-reitor de Graduação da Ufba, aerbal Marinho, diz que o exame não se adapta a realidade nacional de grande demanda e poucas vagas. “O Enem pôde ser adotado pelas particulares porque a concorrência é menor. É um sistema avaliativo e não classificatório”, afirma Marinho, pontuando que o tema chegou a ser discutido por ocasião da implementação do Reuni na UFBa, mas não avançou.
Empate

Ele explica que o método é interessante por privilegiar o conhecimento e não a memória, mas dificultaria a criação de um ranking  entre os alunos. “O sistema favorece um número alto de empate entre os candidatos”, justifica. A presidente da Comissão Permanente do Vestibular da Uneb, Romilda Almeida, diz que é preciso investir em professores e infra-estrtura, de modo a aumentar o número de vagas e permitir a adoção do exame nas universidades públicas. “Hoje, é inoperável. A demanda é enorme”, avalia a professora.



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